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Sem receber desde janeiro o repasse mensal da Prefeitura de Reginópolis que garante o custeio dos serviços de urgência e emergência para pacientes da cidade, o Pronto-Socorro (PS) da Santa Casa de Pirajuí (58 quilômetros de Bauru) passou a filtrar o atendimento aos moradores da cidade vizinha. Após intervenção do Ministério Público (MP), Reginópolis ganhou prazo para regularizar as pendências e a situação teria voltado ao normal. Enfermeira registrou boletim de ocorrência (BO) por discordar da restrição no atendimento.

De acordo com a gerente da Santa Casa, Kamila Bosco, desde janeiro, a Prefeitura de Reginópolis não está repassando o valor do convênio do PS. "Nós avisamos a prefeita, por ofício, que seria cortado o atendimento aos pacientes de Reginópolis caso ela não acertasse", explica.

A gerente conta que não obteve resposta do município. "No dia combinado, a gente cortou atendimento dos pacientes de ambulatório. No serviço de urgência e emergência, estava sendo feita triagem pela enfermeira-padrão", afirma. Essa "filtragem" teria durado uma semana.

Na última quinta-feira (20), segundo Bosco, o MP reuniu representes da Prefeitura de Reginópolis e da Santa Casa para discutir o assunto. "O promotor deu prazo de cinco dias para a prefeitura pagar e a gente está aguardando, mas o atendimento já se normalizou", garante. O prazo para o pagamento, de acordo com ela, vence na sexta-feira (28).

DESNECESSÁRIA

O diretor jurídico da prefeitura de Reginópolis, Ruy Arruda, confirmou o atraso no pagamento dos serviços de urgência e emergência. Segundo ele, que solicitou à Santa Casa o detalhamento dos atendimentos prestados aos pacientes da cidade, a posse tardia da prefeita Carolina Araújo de Sousa Veríssimo (PMDB), a Carola, que assumiu o cargo no fim de janeiro após liminar do TSE, contribuiu para o atraso.

"A todo momento, informamos a Santa Casa que jamais a gente deixaria de acertar o que ficasse atrasado, mas a gente não tinha maneira legal de pagar porque o convênio ainda não estava autorizado pela Câmara", alega. Para ele, a ordem de restrição no atendimento foi "desnecessária" por prejudicar os mais pobres.

O diretor conta que, até o fim de 2016, o município repassava mensalmente para o PS R$ 16,6 mil, valor que está sendo revisto. "O município de Reginópolis vai colocar médico à noite, de madrugada e aos finais de semana de plantão para suprir a demanda e não mais necessitar da Santa Casa", informa.

Por escrito

Na última quinta-feira (20), enfermeira da Santa Casa de Pirajuí registrou boletim de ocorrência (BO) por não concordar com ordem verbal dada na semana anterior pelo provedor Gilmar Segato Martinez para que pacientes de Reginópolis não fossem atendidos em razão do não repasse de verbas pela prefeitura. A funcionária diz que solicitou a ordem por escrito, mas o pedido foi negado e, por isso, continuou atendendo normalmente todos os pacientes. O JC telefonou para o provedor, mas ele não atendeu a ligação.

Fonte: Lilian Grasiela - www.jcnet.com.br