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Treze anos após o assassinato brutal de Natália Cristina dos Santos Silva, na época com 19 anos, a Justiça de Pirajuí (58 quilômetros de Bauru) acolheu manifestação do Ministério Público (MP) e arquivou inquérito instaurado com o objetivo de obter novas provas que levassem à identificação dos autores do crime. Informado pela reportagem da decisão, o padrasto da vítima disse: "Perdi o chão".

O arquivamento foi determinado pelo juiz Maurício Martines Chiado em 27 de abril sob justificativa de que as investigações complementares não resultaram em novas provas que fundamentassem o oferecimento de nova denúncia. Logo após o crime, três dos quatro suspeitos identificados pela polícia foram presos, mas, sob a alegação de insuficiência de provas, a Justiça julgou improcedente a denúncia oferecida contra eles.

Com a sentença de impronúncia, eles deixaram de enfrentar o júri popular. "É um caso bastante grave, de repercussão muito grande na cidade, mas, infelizmente, nós não encontramos elementos para entrar com novo pedido", disse o promotor de Justiça Fernando Masseli Helene, que manifestou-se pelo arquivamento dos autos. "Mas, a qualquer momento, se advierem novas provas, estamos prontos para trabalhar".

Márcio Rosalino da Silva, padrasto de Natália, soube da decisão pelo JC e prometeu procurar a Justiça para cobrar uma resposta. "A sensação é de impunidade", desabafou. "A gente esperava que todo mundo fosse punido e pagasse pelo que fizeram com a menina. É o certo. Apesar que, no Brasil, não tem lei, não tem Justiça para nada. Então, fazer o quê? Completou treze anos agora sem solução nenhuma".

O delegado Ricardo Silva Dias, que respondia pela delegacia de Pirajuí na época do crime, defendeu o trabalho feito por sua equipe na ocasião e ressaltou que, mesmo após novas investigações, durante todos esses anos, nenhuma tese diferente da inicial foi comprovada. "Desconheço as razões pelas quais as pessoas apontadas como envolvidas não enfrentaram o Tribunal do Júri", diz. "Só lamento profundamente que essa família não teve paz até hoje".

O CRIME

Natália foi encontrada sem vida em 2 de maio de 2004, coberta com um pedaço de papelão e com o rosto desfigurado, em um local ermo no Parque Santa Guilhermina. A perícia apontou que, após ser brutalmente espancada, ela foi esganada até a morte e, em seguida, atropelada.

Investigações da Polícia Civil apontaram para a participação de quatro homens no crime e três deles chegaram a ficar presos. Todos foram denunciados por homicídio qualificado (por motivo torpe, asfixia, uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e para ocultar outro crime).

Segundo a polícia, a morte da jovem teria sido uma "queima de arquivo" motivada por vingança, já que ela estaria ameaçando denunciar supostos crimes cometidos por dois dois suspeitos. Em outubro de 2005, a Justiça de Pirajuí entendeu que não havia elementos suficientes para pronunciar os réus.

O crime chegou a ser investigado pelo Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) da Capital e pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru, mas nenhum fato novo que pudesse levar à comprovação do envolvimento dos investigados ou de outras pessoas foi encontrado.

Fonte: Lilian Grasiela - www.jcnet.com.br